Angelo Gaja e seus vinhos superlativos!

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Para alguns Angelo Gaja é uma figura controversa e polêmica, para Hugh Johnson e outros é o apóstolo do vinho italiano, mas ninguém lhe tira o mérito de ter colocado oPiemonte e a Barbaresco no atlas mundial de vinhos internacionais, sofisticados e de altíssima qualidade.

 

A controvérsia passa também pelo fato de que Angelo Gaja tentou introduzir castas francesas no ultra conservador Piemonte: a cabernet sauvignon no Darmagi, a sauvignon blanc noAlteni di Brassica e a chardonnay em Gaia & Rey (aliás, uma beleza de chardonnay!)

 

Não satisfeito, Angelo tentou alterar a legislação do Barolo e do Barbaresco para introduzir outras variedades além da Nebbiolo, e como não conseguiu, ele renunciou ao DOCG e reclassificou seus vinhos top de Langhe Nebbiolo, tais como os Sori San Lorenzo, Sori Tildin e Costa Russi, todos com duas a três estrelas no Gambero Rosso 2014.

 

Hoje Angelo Gaja produz também um belo e tradicional Barbaresco e um tradicional Barolo, os Langhe Nebbiolo Conteisa e Sperss, provenientes de vinhedos de La Morra Cerequio e Serralunga. 

 

Venho entrevistando Angelo Gaja nos últimos dez anos seja aqui no Brasil, seja na Vinexpo Bordeaux, seja em Nova York e ele é sempre carismático e muito acessível. E desta vez, também provou que é one man show nesta sua curta viagem ao Rio e S. Paulo  (16 a 19/3/14) a convite da Mistral deCiro Lilla, sua importadora, para falar de Ca’Marcanda, que hoje em dia se escreve Camarcanda.

 

No ano passado, em jantar com a imprensa, ele nos havia dito que aquela seria sua última visita ao Brasil, pois já estava com mais de 70 anos. Pois, agora aos 74 segue no mesmo ritmo vertiginoso e apaixonado.

 

 

“Ca’Marcanda em Castagneto Carducci vive hoje de luz própria e não de reflexos”, declara Gaja. Camarcanda 2010 é o vinho mais importante, um corte de 50% merlot, 40% cabernet sauvignon e 10% cabernet franc. E o rótulo está inspirado no caminho que leva à vinícola, ladeado por ciprestes, uma beleza. 

 

Visitei Ca’Marcanda, na região de Bolgheri, em 2007, logo no início do projeto. A arquitetura é toda pensada para não interferir na paisagem, na vegetação e no ambiente e favorecer a produção de vinhos da forma mais gentil, totalmente gravitacional. E tem obra de arte em cada canto. Se for à Toscana, organize-se, pois vale a pena a visita.

 

 

Angelo Gaja revelou-nos que no passado era pressionado para aumentar o volume de sua produção ou fazer joint venture. Foi procurado inclusive por Robert Mondavi, como nos contou em uma apresentação na  ABS/SP há muitos anos. Mas Angelo jamais quis sair do rumo: produção artesanal, vinhedos  próprios e controle total.

 

Entretanto, acabou por expandir o negócio, mas sem abrir mão de seus princípios. Adquiriu terras em Montalcino, onde produz um brunello magnífico, o Brunello di Montalcino Sugarille, e depois em Bolgheri com o Camarcanda.

 

Começou por Montalcino, porque ali se cultiva a sangiovese, casta nativa italiana, e que tem as mesmas características do Piemonte. Por similaridade começaram com a produção de apenas uma variedade, a sangiovese, claro. 

 

Em seguida passou para Bolgheri, onde haviam passado férias no início dos anos 90. E ali já estavam introduzidas as castas francesas. Mario Incisa della Rocchetta, em 1943, teve a visão de plantar ali cabernet sauvignon (é o pai do atual Sassicaia). Visionário, plantou o primeiro vinhedo de cabernet sauvignon (ele que jamais havia produzido vinho na vida!).  Deu certo, e todos os demais produtores foram atrás. Hoje Bolgheri conta com 2.859 hectares de vinhedos, 40 vinícolas e nenhuma disponibilidade de terrenos.

 

O que Bolgheri tem de especial?

É um terreno estreito de 15km de largura, de um lado o mar e do outro colinas. Clima quente, mas à noite a temperatura baixa e é esta que dá uma acidez natural ao vinho da região. 

 

Os Gaja chegaram lá em 1996 e hoje têm 272 acres de cabernet sauvignon, merlot e cabernet franc, agora vinhedos de 14 anos, mais maduros e com bom nível de maturação. A primeira colheita aconteceu em 2000. 

 

Ali em Bolgheri, você tem os terrenos brancos, ricos em calcareo para fazer vinhos mais longevos e a terra marrom, ainda em exploração. Camarcanda conta com 66 funcionários da região que não trabalham com a cooperativa. Angelo trabalha somente com gente que seja dele. 

 

Em 4 anos produzem o próprio húmus com a little help de um verme vermelho da Califórnia que engole fezes e expele húmus. Produzem toneladas assim e fertilizam os vinhedos com este fertilizante natural. Há cinco anos levou este procedimento a Ca’Marcanda . 

 

Os vinhos de Angelo Gaja são sabidamente caros, mas também de reconhecida qualidade. É o único produtor com 5 estrelas no guia Gambero Rosso. Cada estrela significa que o produtor recebeu pelo menos 10 vezes o Tre Bicchieri. No caso de Gaja, foram 51 prêmios, “uma média impressionante de realizações, quase duas por edição” declara o Gambero Rosso em sua edição de 2014.

   

 

Notas de degustação

 

O vinho de melhor relação custo x qualidade é o Sito Moresco Langhe 2010.

 

Na preferência dos pagantes do jantar de 17 de março, os vinhos mais apreciados foram: 1o. Camarcanda, 2o. Barbaresco e 3o. Brunello; no jantar com a imprensa especializada deu Brunello, Barbaresco e Camarcanda/Sito.

 

 

Rossj-Bass Langhe Chardonnay/ Sauvignon Blanc 2010 !!!

Aroma intenso de chardonnay com a acidez e citricidade da sauvignon blanc. 

Macio e crocante em boca, uma carícia de tão macio ao mesmo tempo em que tem acidez, frescor e untuosidade. 

É amplo em boca. Final largo. Um vinho de guarda. 

É um branco barricado com chardonnay e um pouco de sauvignon blanc. Corte de frutas de diversos vinhedos próprios localizados  nas vilas de Barbarescoe Serralunda D’Alba , incluindo o que leva o nome da filha caçula, Rossana, Rossj. Elegante. 

Deixe abrir na taça e os aromas suavizam e a sauvignon blanc muito delicada e fresca se revela. Leve e estruturado. Um branco vigoroso, potente, estruturado e ao mesmo tempo leve. 

US$172.90 na Mistral

 

Ca’Marcanda DOC Bolgheri 2008 !!!

 

50% merlot, 40% cabernet sauvignon e 10% cabernet franc

Notas intensas e envolventes florais, carvalho, especiarias. 

Em boca muita estrutura, encorpado e potente. Muito vigoroso. 

Elegante e para guarda de 20 anos. 

Um St Emilion de Bolgheri. Para os amantes de vinhos pra lá de encorpados. 

US$284.50 

 

Sito Moresco Langhe 2010 !!!+

Nebbiolo 35%, merlot 35% e cabernet sauvignon 30%.

Envelhece 18 meses em carvalho. Rico e intenso, boa acidez, bem gastronômico. 

Carvalho e frutas negras no nariz. Tabaco. Café. Muito elegante e fino.

Em boca é estruturado, ma non troppo como o Ca’Marcanda. 

US$138.50

 

Brunello di Montalcino Sugarille 2000 !!!++

Está pronto. Maravilhoso. Encorpado e vigoroso sem perder a ternura jamais! 

Finíssimo, equilibrado, harmonioso. Complexo no nariz e em boca. Sedoso aveludado.

Pura harmonia e beleza!

Produzido na propriedade de Pieve S Restituta no coração de Montalcino. 

Para decantar e longa guarda.   

US$329.50 

 

 

Barbaresco 2008 !!!+++

Pode beber já, mas tem décadas pela frente.

Complexo. Fino, elegante. Pura finesse. Potente e elegante em boca! Gentil, amável, elegante e sofisticado. Excepcional. US$479

 

São vinhos dos quais se pode dizer que não dá pra morrer sem provar! 

About silviafranco

Wine writer.
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