Os Borgonhas da Bouchard Père & Fils

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Se há algo que aprendi nas minhas periódicas andanças pela Borgonha foi de que lá, mais importante do que a safra e o terroir, é o produtor, pois todos os anos são difíceis e complicados, não tem vida fácil. Se o produtor é bom, não importam os desastres climáticos, o vinho tem qualidade.

 

Eu que amo Puligny-Monrachet e usualmente me hospedo nesta charmosa village, já tive o desprazer de degustar puligny-montrachet bem ruinzinho (se quiser um bom puligny-montrachet a minha dica é o de Olivier Leflaive, importação da Todovino).

 

 

Portanto, o primeiro passo é saber quem é o produtor. E Bouchard Père & Fils, importado pelaGrand Cru, é certamente um respeitado produtor e merchant da Borgonha.

 

Bouchard Père & Fils é, além do mais, o maior ou um dos maiores proprietários de vinhedos em Côte d’Or, e um importante merchant que oferece preciosidades como os brancos Chevalier-Montrachet e Le Montrachet e o tinto Beaune Grèves Vigne de l’ Enfant Jesus.

 

Fundada em 1731, Bouchard Père & Fils compra em 1775 parcelas de terras em Volnay onde começa a produzir seus próprios vinhos.  Em 1995 é adquirida pela Henriot (de belíssimos champanhes, importacão da Vinci) que passa a investir pesadamente.

 

Em 2005 é vinificada a primeira safra na Cuverie Saint Vincent, a nova cantina, fora de Beaune, que tem muita umidade e água, assim como o fizeram Louis Jadot (propriedade hoje de investidores americanos) e Joseph Drouhin (que segue na família), ambos importados pela Mistral.

 

A colheita é manual em caixas de 13kg no máximo com seleção dupla na mesa de seleção (seleção das uvas, uma por uma) e a vinificacão por parcelas (por lote de lugar). Hoje Bouchard é proprietária de, nada menos, 200 parcelas e 80 rótulos!

 

Os grandes brancos da Borgonha se caracterizam por notas ricas e suculentas de mel, fruta secas, manteiga e especiarias e serem absolutamente secos. E de elevada, embora equilibrada, acidez. 

 

Faça sua escolha: os grandes tintos de Côte d’Or estão em Côte de Nuits que se estende de Nuits Saint Georges até Dijon. Assim, de modo geral, um Nuits Saint Georges, vindo de um bom produtor, será sempre um belo vinho. Pommard faz um vinho mais estruturado e tânico e Volnay e Chambolle-Musigny mais elegante.

 

 

Notas de degustação

 

Bouchard Pouilly-Fuissé 2011 

8 meses de carvalho, 70% em carvalho e em fut (barrica com dobro do tamanho).

Tipicidade do branco de Borgonha. Citrico, zesty, vibrante.  Macio e seco em boca. Certa resina, mineralidade. Maturidade sem ser super maduro. R$143 na Grand Cru.

 

 

Bouchard Beaune du Château Blanc 1er Cru 2009 !!!

 8 a 12 meses de barrica em Carvalho Allier. 13,5% álcool.

Aroma mais amplo e generoso. Cativante.  Frutas brancas maduras. Mineral, maior complexidade no nariz e em boca. Macio em boca. 

Jovem ainda na boca e na aparência: cor de palha com reflexos esverdeados mesmo sendo de 2009! Acidez excelente.  Boa textura em boca. Mais rico e ainda assim preciso e puro. R$220 na Grand Cru.

 

Bouchard Beaune Marconnets 2011 !!!+

É um 1er Cru ao norte de Beaune. Mais rústico, se comparado a um Chambolle-Musigny, mas nem por isso menos interessante. Defumado, cogumelo, húmus, certa  complexidade, mais complexo no nariz e em boca do que o anterior. Mais sabor, textura e persistência. R$337 na Grand Cru.

 

Bouchard Nuits Saint Georges Les Porretes  1er Cru 2011 !!!++

Aromas intensos de fruta e complexidade, mais denso, maior concentração de frutas, textura aveludada, bela estrutura e equilíbrio. Bons taninos. R$381 na Grand Cru.

 

Bouchard Pommard 1er Cru 2010 !!!++

O mais complexo de todo o painel. Bem macio. Equilibrado, bem estruturado, bela concentração de fruta, boa acidez, bela textura. Taninos finos. Grande qualidade. R$423 na Grand Cru.

 

Os vinhos são magníficos e, como todo Borgonha, são caros. Mas se for para beber Borgonha, que seja de um bom produtor e de belo terroir, pois a complexidade é o que mais vale, algo que os pinot noir e chardonnay da Nova Zelândia e do Oregon, que são muito bons, ainda não alcançaram. Simplesmente ainda não são páreo para os grandes vinhos da Borgonha.

 

 
 

About silviafranco

Wine writer.
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