Etienne Guigal, uma história surpreendente

guigal319A família não tinha como lhe dar o que comer e o despachou para o mundo. Aos 14 anos deixou o trabalho nas minas e foi colher damascos e de lá para a poda de vinhas. Em 15 anos era o Maitre de Chai e saiu para fundar E. Guigal!

A Todovino está trazendo agora os vinhos de Etienne Guigal, o maior nome do Rhône, reconhecido pela qualidade excepcional e consistência de seus vinhos e por serem top value, de grande relação preço qualidade.

 

Pois a estória desta família é notável. E me recorda um pouco a de Marie-Antoine Carême (1784 – 1833), um dos grandes nomes da gastronomia de todos os tempos. A família passava fome, e quando Carême tinha 10 anos, seus pais o deixaram no mercado para que se “virasse” porque não tinham como sustentá-lo. A família de Etienne, pelos mesmos motivos, o despachou para o mundo. Embora fosse o mais novo, era o mais resistente.

 

Etienne caiu no mundo e acabou indo a Ampuis colher damasco, que ele preferia, muito melhor do que seu emprego anterior que era trabalhar sob a terra nas minas…

 

Em 1924, então com 14 anos, Etienne foi trabalhar na vinícola Vidal Fleury, à época a maior e mais poderosa do Rhône. Etienne começou ali na poda e acabou, 15 anos depois, como Maitre de Chai.

 

Em 1946, partiu para fundar seu próprio negócio, a E. Guigal. Em 1961 Etienne foi acometido por uma total cegueira e o filho Marcel foi obrigado a deixar os estudos para assumir o lugar do pai.

 

Marcel Guigal assumiu a E. Guigal e levou-a aonde está hoje, à liderança dos vinhos do Rhône.

 

Marcel levantou Côte-Rôtie e outras apelações que corriam o risco de se perderem, apesar dos 2.500 anos de vinhos ali produzidos.

 

Fantásticos vinhedos e viticultura excepcional

 

Hoje, com seu filho Philippe, Marcel Guigal somente adquire vinhedos capazes de verdadeiramente produzirem grandes vinhos.

 

E. Guigal é hoje proprietária de 150 acres do que há de melhor no norte do Rhône: vinhedos finos em Côte-Rôtie, em Condrieu e Saint Joseph, quatro parcelas em Hermitage, e algumas das melhores em Crozes-Hermitage.

 

Os vinhedos estão em terrenos íngremes que eles metodicamente reconstroem e que não serão replantados pelos próximos 5-10 anos à espera da recomposição dos solos.

 

As podas são baixas com número estritamente limitado de brotos por videira para reduzir o vigor das videiras e obter baixos rendimentos de modo a ganhar em equilíbrio e concentração.

 

Em Guigal, nada de pesticidas, herbicidas ou químicas nos vinhedos e o melhor testemunho deste cuidado é que E. Guigal possui algumas vinhas que datam de 1890!

 

E. Guigal é também a única negociant na região e apenas adquirem uvas de parceiros de longa data. Vinificam 33% de Côte-Rôtie e 45% de Condrieu e têm amplo acesso às melhores frutas da região em que trabalham. Adquirem 1% dos mais finos vinhedos do sul do Rhone.

 

A vinificação se faz com longa maturação para integrar taninos, aromas e criar vinhos de grande complexidade e refinamento. Por isso não fazem vinhos simples, pois seus vinhos pedem tempo.

 

A fermentação é natural, leveduras nativas, sem filtração. Seus vinhos top amadurecem longo período de tempo em barris, até 3 anos e meio antes de ir a mercado. Até mesmo seus Côtes du Rhône passam em foudres por seis meses, o que é totalmente atípico na categoria Côtes du Rhône.

 

Os Guigal são tão perfeccionistas no que toca à maturação de seus vinhos, que por encontrarem inconsistências nas barricas das melhores tonelerias, eles mesmo fazem suas barricas, com um barril feito por dia à mão em sua propriedade do Château d’Ampuis, que remonta ao século 12, e foi adquirido em 1995. As barricas são usadas para seus vinhos do norte do Rhône e os foudres para os do sul do Rhône.

 

Os Guigal somente liberam seus vinhos para o mercado quando eles estão prontos para serem bebidos. Costumam reter os Chateauneuf-du-Pape e os  Côte-Rôtie por 3 a 4 vintages, assim como seus Côtes du Rhône que estão sempre duas a três vintages atrás daquelas que os outros produtores liberam para o mercado. Naturalmente, isto tem seu custo, mas Guigal zela pela qualidade de seu vinho. Quando vai ao mercado, já está pronto para ser bebido. Por isso, você encontra para comprar somente agora – no Brasil ou nos EUA – os Côtes du Rhône 2009!

 

Vale ressaltar a grande qualidade dos tintos desde o Côtes du Rhône, passando pelo Gigondas até os excepcionais La Mouline, La Turque e La Landonne todos extremamente apreciados pela crítica. La Turque, em especial, é um tinto profundo, rico com nada menos do que 42 meses de barricas novas!

Para conferir E. Guigal clique aqui: http://www.todovino.com.br/index.aspx?AF=25

About silviafranco

Wine writer.
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