Os destaques da masterclass do Piemonte, os vinhos que vêm da névoa

 

No Piemonte reina a nebbiolo, a uva que toma seu nome da névoa que desce sobre as montanhas e colinas piemontesas e os melhores vêm da colina de Langhe, e quanto maior a altitude, melhor o vinho.
De lá vem o Barolo, conhecido como o “rei dos vinhos” e o “vinho dos reis”, cujos vinhedos se situam na vila de Barolo ou próxima a esta. O Barolo é um vinho potente e elegante que passa três anos de envelhecimento (o reserva, cinco) antes de ir a mercado, sendo que pelo menos dois anos em madeira.

Mas para os que não temos nem sangue e nem bolso real, há o Barbaresco, vinho igualmente feito de  nebbiolo, mas que passa apenas dois anos de envelhecimento, sendo um em madeira (o reserva, quatro). Os Barbaresco são menos potentes que os Barolo (afinal menos madeira e menos tempo de envelhecimento), e muito elegantes.
E tambem da nebbiolo vem o vinho da comuna de Roero, vinhos mais simples, mas que ocasionalmente podem atingir a qualidade de um Barolo. O que também vem do Piemonte, mas não vem da nebbiolo são a Barbera, o Dolcetto e o Moscato.
Dolcetto é um vinho seco, não se deixe enganar pelo nome, e faz vinhos simples, fáceis de beber que acompanham bem as pastas, as pizzas, bons para o dia a dia. Os melhores vem da colina de Dogliani. E a Moscato é famosa pelos vinhos doces e os espumantes de Asti.

 

O que caracteriza o vinho da névoa
O Barolo se caracteriza pelos aromas florais, taninos salientes e acidez gastronômica. Nós aqui no Brasil estamos habituados com vinhos modernos do Novo Mundo, todos com opulência de fruta, taninos dóceis, que dão estrutura, mas são macios. E a acidez é um elemento que pouco se percebe.

Vinhos do Piemonte são vinhos do Velho Mundo, feitos para acompanhar comida e não happy hour, portanto têm acidez mais acentuada e são mais leves, menos encorpados. Por isso, talvez você prove um Barolo e não consiga ver o que há de tão nobre e especial nele. O taste, o palato para vinhos europeus é um taste a ser adquirido, desenvolvido e cultivado.
Esteve na semana passada em visita ao Brasil um grupo seleto de produtores do Langhe, o Conzorcio Langa In, mais exatamente 18 aziendas, vinícolas, que representam as comunas de Barolo, Barbaresco, Moscato e Roero. Um grupo comprometido com qualidade e cujos nomes já figuram no rol de expoentes da região de Langhe, como Malvirà, Pira, Paolo Scavino, Conterno Fantino, Pelissero, Caudrina, Cigliuti, Chionetti Quinto, Eraldo Viberti, Clerico, Azelia e Gatti. A maioria sem importador no Brasil, à exceção de Conterno Fantino, importado pela Wine To Go.
Alguns deles fazem vinhos à moda antiga, tradicional, longo tempo de maceração (para extrair o máximo de cor e taninos) e muito austeros e  outros mais modernos, mais user friendly…

Os destaques

O Dolcetto de Quinto Chionetti – Dolcetto di Dogliani San Luigi 2010 DOC, frutado, rubi vivo e brilhante. Floral e aromático. Fino, elegante, leve, frutas vermelhas. Carvalho, boa acidez. Corpo médio. Vinho simples e bom para gastronomia. Wine Advocate 95 pts. Já está pronto.

Roero de Malvirá – Roero Riserva Trinitá 2007 DOCG.  Fácil de beber.
Intenso aroma de frutas maduras, rosas. Sedoso em boca, mais estruturado e bem equilibrado. Roero é a Pinot Noir do Piemonte. Fino, elegante. Boa persistência. Saboroso, chocolate amargo na boca. Boa acidez.
Rubi atraente e etéreo. Estilo entre moderno e tradicional. Barris de 450 litros de carvalho francês. Tostado. Pouca cor, quase de Pinot Noir. 100% nebbiolo.
3. Cigliuti – Barbaresco Vigne Erte 2008 DOCG

Fruta madura vermelha mais intensa. Médio corpo, fino. Taninos ainda presentes. Barbaresco característico, um chocolate. Vinho mais fragrante, aromático.  Seco, bem seco. Taninos secantes, mas de boa qualidade, nada que uma carne não possa resolver. Final mais curto. Mais estrutura.
4. Pelissero – Barbaresco Vanotu 2008 DOCG
Ainda fechado. Erte é ríspido no dialeto local. Taninos secantes. Seco.
50 anos de idade das vinhas. Menta, balsâmico, tostado, leveza, frescor, elegância. Sutileza, um mundo de nuanças e sutilezas. Beber já, bom padrão de qualidade.
5. Eraldo Viberti – Barolo 2007 Eraldo Viberti DOCG  Fácil de beber
Muito aromático. Floral, violeta, uma doçura no nariz. Muito agradável. Fruta madura doce. Sedoso, bom volume em boca, chocolate, taninos deliciosos.Um Barolo genérico de 2007. Muito equilibrado.

6. Pira/Chiara Boschi – Barolo Cannubi 2007 DOCG Fácil de beber e mais moderno.
Fruta madura, Carvalho. Acidez gastronômica. Médio corpo, taninos presentes, mas de qualidade. Finesse e elegância. Boa persistência. Discreto amargor final.

7. Azelia – Barolo Margherita 2008 DOCG

Floral, violeta, madeira, fruta madura. Sedoso, saboroso, tanino secante, mas de qualidade. Fino, elegante. Sutilezas. Estruturado. Equilibrado. Boa persistência.para guarda. Muito estruturado, austero, estilo tradicional mais sério. Para guarda. Adstringência final.  Reflete o estilo de vinificação de boti e não de barrica.

8. Conterno Fantino – Barolo Vigna Del Gris 2007 DOCG Fácil e beber, importação da Wine To Go.

Rubi mais escuro, vivo, brilhante. Aroma de frutas maduras, muito gentil e agradável. Complexo. Generoso em boca, gordo mesmo, taninos secantes de boa qualidade. Para guarda. Com uma certa austeridade, mais moderno com mais fruta, mais acessível.  A Wine To Go traz deles o Mont Pra (R$214) muito bom, macio, fácil de beber. Corte de  nebbiolo, barbera d’ Asti e cabernet sauvignon.  Macio, sedoso, taninos ótimos e gentis. Saboroso.

9. Paolo Scavino – Barolo Bric L Fiasc 2007 DOCG  Belíssimo vinho, de chorar de dó que não tenha mais importador no Brasil

Rubi mais escuro.Fruta madura. Madeira. Elegância, finesse, macio, taninos secantes, grande qualidade e elegância. este é um Cru, o Fiasc em Castiglione Falleto. 9.700 garrafas. Guarda de 2017 a 2027.
De 2012 a 2027. Vinho mais moderno.  Frescor. Bem equilibrado. Acessível,  mono. Muita estrutura mas dá boa fruta.

10. Armando Parusso – Barolo Mariondino 2007 DOCG
Floral, herbáceo, menta, Macio, sedoso, taninos secantes, saboroso mas jovem ainda. Fino, elegante, saboroso. Uma alegria secante. Um Barolo totalmente diferente, moderno.

11. Domenico Clerico – Barolo Ciabot Mentin 2007 DOCG

Macio, elegante, finesse. Fruta, complexidade. Médio corpo, longa persistência.  Taninos secantes.

12. Gatti Piero – Moscato 2011 Delicadeza é teu nome!

Exuberância de fruta branca, muito fragrante. e aroma. Bela mouse, sedosa, elegante, ligeiramente cítrica. Doçura agradável e bem equilibrada. Floral, fresco, levemente frisante. Alegre, cheia de vivacidade.
Delicado, sutil.  A doçura do Moscato é natural.

13. Caudrina – Moscato D’Asti 2011

Menos exuberante, e mais doce, levemente frisante, diferente  em estilo.

É torcer para que muitos deles encontrem importadores. Mas para os e as amantes de vinho que viajam para fora, não deixem de degustar esses vinhos, todos muito pontuados e famosos fora do Brasil.

About silviafranco

Wine writer.
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