Os vinhos premium do Chile by Wines of Chile

O Brasil é o terceiro maior importador de vinhos do Chile. À frente de nós apenas a Inglaterra e os Estados Unidos. E os chilenos sabem como ninguém cativar o paladar e os bolsos brasileiros.

Paladar, porque a diversidade de terroirs e de castas é tão diversa que tem vinho para todos os gostos. E também para todos os bolsos.

E o melhor de tudo é que os chilenos sabem fazer vinhos BB, bons e baratos, como ninguém. E igualmente também são mestres em fazer vinhos premium de excelente relação custo benefício. Como diz o Master of Wine Peter Richards, apresentador de vinhos da BBC, “para fazer vinho fino você precisa de habilidades intuitivas, grandes terroirs e de tempo”.

E é de tempo que o famoso doutor terroir, Pedro Parra, falou no início de sua apresentação na masterclass que a Wines of Chile organizou hoje (8/8/2012) com a presença do brasileiro Carlos Cabral, de Peter Richards e Pedro Parra.

Pedro Parra destacou os momentos chaves da história do vinho chileno. Dos anos 50 em que a tradição vitícola era pobre, principalmente em Maule, Cauquenes, Itata e Bio Bio e muitos desses terroirs estavam esquecidos. Os anos 90 com um crescimento vertiginoso, principalmente ao norte da parte central, em que valia o dito “a qualidade do vinho chileno começa em Aconcagua e acaba em Cachapoal” e os vinhedos plantados na parte plana dos vales. A virada do milênio, ano 2000, assistiu à busca e ao Movimento do Terroir, a busca das encostas, a exploração de novos lugares, novas ideias e sonhos. Em 2007 acontece o momento da Evolução da Mentalidade com novos enólogos, novos viticultores e o crescimento de Elqui, Limari, Bio Bio, Leyda para citar uns poucos. É o Novo Chile chegando. 2009 é o despertar para o que estava esquecido Maule, Cauquenes, Itata e os Andes. E 2013 há de ser o caminho da maturidade e da individualidade.

Provamos 11 vinhos ícones chilenos de algumas das 14 principais regiões do vinho chileno da seleção feita pelo brasileiro Carlos Cabral, o chileno doutor terroir, Pedro Parra e o Master of Wine Peter Richards, apresentador de vinhos da BBC.

Os denominadores comuns desses grandes vinhos são, certamente, a expressão do terroir  e a elegância. Eu acrescentaria ainda mais um elemento: a guarda. À exceção do branco, os demais estarão interessantíssimos daqui a mais dois lustros, quaisquer 10 anos a mais. Quem conseguir esperar que o diga…

Eis os vinhos:

Do Vale San Antonio, Cipresses Vineyard 2011 Casa Marin de Maria Luz Marin, sauvignon blanc de caráter, mineralidade, considerado o melhor Sauvignon Blanc do mundo pela revista Decanter em 2010.

De Maipo Alto, Carneros Viejo e Alto Jahuel,Viña Santa Rita Casa Real Cabernet Sauvignon 2007. Um tinto sedoso, complexo e de estrutura firme.

Do Vale Maipo, Concha y Toro Don Melchor 2008, um blend de cabernet sauvignon e 3% de cabernet franc de bela textura, frutas vermelhas maduras, cedro, tabaco, chocolate, mineralidade e elegante. Também de Maipo e da Concha y Toro, o Carmín de Peumo 2007, fruta madura e mentol, com mais corpo e mais redondo, onde a pimenta e a especiaria se destacam.

Do Vale do Rapel (que abrange o vale do Cachapoal ao norte e Colchágua ao sul) vem o elegantíssimo Aristos Duque D’A 2008. Com uma acidez suculenta, muita fruta madura, mineralidade, é um cabernet sauvignon de pura elegância, equilibradíssimo com seus 24 meses em barricas novas francesas e 3 mil garrafas apenas. Produzido por Louis-Michel Liger-Belair, François Massoc e Pedro Parra. Aristos é uma bodega butique de inspiração borgonhesa. Um vinho de pura elegância!

Do Vale de Cachapoal vem Altair 2006, um vinho de puro sabor! Corte de cabernet sauvignon 74%, syrah 14%, cabernet franc 10% e carmenere tem muita complexidade no nariz, que vai da “caixa de charutos” à baunilha, tabaco, chocolate, café. Na boca lembra uma guloseima de cereja, tostado. Sedoso e belos taninos. Um tinto de muito caráter e presença.

Do Aconcagua vem Errazuriz Don Maximiano Founder’s Reserve 2007. Um bordeaux chileno, cabernet sauvignon 82%, cabernet franc 6%, petit verdot 6% e shiraz. Toques de tabaco e fruta adocicada e madura. Vinhas de 20 a 30 anos de idade.

Do Vale Central vem o famoso Seña. Seña 2007 é outro bordeaux chileno e ao meu ver  mais cosmopolita do que Don Maximiano. Às cegas, já foi confundido com grandes bordeaux. Cabernet sauvignon 57%, carmenere 20%, merlot 12%, cabernet franc 6% e petit verdot. Muito saboroso e elgante com notas de tabaco, chocolate, pimenta negra.

Do Vale de Colchagua e Apalta, vem Montes Alpha “M” 2009, encorpado, elegante, com um atraente tostado. Aveludado em boca. Corte de CS, CF, Petit Verdot e Merlot. Também de Montes, outro premium, o Montes Folly Syrah 2007, elegante, fino.

De Colchagua vem também o mais francês dos chilenos, Casa Lapostolle Clos Apalta 2009. Pura finesse, muito cosmopolita e francês. Complexo, especiarias, café, algo floral. Muito rico em aromas e texturas, bela acidez.

Agora é esperar o que os anos vindouros nos hão de trazer do Chile. Minha sugestão é adquirir duas garrafas de cada um deles. Beber uma já, e reservar a outra para daqui a 10 anos. Ou melhor ainda, adquirir logo uma caixa e ir degustando ano após ano.

Seja premium, seja para o dia a dia, o Chile vem fazendo vinhos excepcionais.

About silviafranco

Wine writer.
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