As ânforas do transporte do vinho na Antiguidade

Se hoje os vinhos nos chegam engarrafados, e com o selo fiscal, no passado distante ele chegava em ânforas, fechadas com cera.

Séculos antes de Cristo, o transporte de vinho e de azeite e, eventualmente, de figos e nozes era realizado em ânforas.  Os gregos e depois os romanos transportavam e exportavam seus vinhos e azeites nessas ânforas. Uma vez chegadas ao destino, o líquido era colocado em recipientes menores. Barricas e barris, uma invenção dos gauleses ou celtas, chegaram muitos séculos depois.

As ânforas eram feitas de terracota e revestidas por uma resina. Eram produzidas em massa e dentro de padrões de capacidade pré-estabelecidos. Às vezes traziam como garantia o carimbo do artesão numa das alças ou no gargalo da ânfora.

Com frequência traziam inscrições para indicar a natureza, origem e a quantidade de conteúdo da ânfora. Ânforas com vinhos traziam gravados o nome do produtor e a safra.

As ânforas tinham uma forma distinta e prática: duas alças para serem levantadas e carregadas manualmente, por exemplo, no momento de embarcar ou desembarcar de um navio mercante. Tinham o corpo cilíndrico com uma base pontiaguda para permitir que fossem dispostas em múltiplas fileiras.

Vide a foto de uma peça em mármore (da Roma Imperial, séc. 2 d.C.) na qual aparece um comerciante recebendo um portador à direita, que carrega uma ânfora sobre os ombros. Outras ânforas, com a boca selada, estão empilhadas num canto à esquerda.

As ânforas foram usadas até o final da Antiguidade, mas deixaram de ser produzidas em massa por volta do século 7 depois de Cristo pela decadência do comércio marítimo no Mediterrâneo.

Na Idade Média elas foram substituídas por peles e barricas de madeira. E com os barris de madeira, os franceses descobriram o benéfico efeito colateral do carvalho nos vinhos: maior complexidade, longevidade, aromas e sabores plurais.

As fotos tiradas por mim são de peças do Metropolitan Museum de Nova York.

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Wine writer.
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