Tanques de inóx X cimento, veja o que Antonini prefere para vinhos premium

Alberto Antonini – consultor também da Altos de las Hormigas – comentou porque prefere tanques de cimento ou concreto para seus vinhos premium (elaborados na vinícola de sua família em Toscana) em vez dos usuais e internacionalmente usados de inóx. Para ele, inóx é um material estéril, não tem vida, fácil de limpar, sim, mas sem vida. Enquanto que os tanques de concreto ou cimento (alguns com epóxi), assim como a madeira, estão plenos de vida. Quando se fermenta o mosto, este deixa leveduras em suas paredes, o que é bom para o vinho de alta gama. Segundo ele, “ concreto e madeira te entregam vida“. Ao se colocar no tanque de concreto o sistema de resfriamento dentre de suas paredes, você tem uma inércia em todo o sistema que é mais natural. Quando estive na Toscana visitando cantinas como Altesino e outras, observei inúmeros tanques de cimento, como aliás ainda se vê em áreas de nossa Campanha Gaúcha. Perguntei-lhe porque não usava os tanques de concreto para toda a linha de seus vinhos e a razão é de fundo econômico, o inóx está lá.

Alberto Antonini nos apresentou também seu Chianti Superiore DOCG 2008 Poggiotondo, um vinho moderno, corte de merlot 10%, e sangiovese 90%. No nariz frutas vermelhas frescas, especiarias, no palato taninos redondos, boa estrutura, toque aveludado. Este também passa em inóx e 12 meses em carvalho francês e 6 meses de afinamento em garrafa. Um bom vinho por R$78, importação da World Wine que ainda não os tem em sua página da internet, mas na loja sim.

Entretanto, seus vinhos premium têm rendimento de 7,5 hectares e não passam por inóx, mas por concreto. E seus premium ainda não chegaram ao Brasil para venda, os que provamos vieram com ele. Destaque para o Chianti Reserva DOCG 2008 (90% sangiovese, merlot) fermentado em carvalho ou concreto com leveduras nativas. Um vinho rico, elegante e fresco com muita, muita fruta madura e um final mineral. O Chianti Reserva Vigna delle Conchiglie 100% sangiovese foi o meu preferido, por ser menos intenso, mais harmonioso e complexo. Vem de um terroir que no início dos tempos foi fundo do mar e está repleto do calcáreo das conchas marinhas que lhe dão elegância, complexidade, frescor, mineralidade, boa acidez e mineralidade, além de ser sedoso e muito fino. Por último,  o Marmoreccia, IGT 100% syrah, mas sem a tipicidade da syrah de que estamos habituados no Novo Mundo. 2.500 garrafas e custam mais de 100 euros lá na Toscana… Por ora o Chianti Superiore DOCG 2008 Poggiotondo  por razoáveis R$78 na World Wine pode lhes  dar uma ideia da qualidade dos vinhos da vinícola de Alberto Antonini.

About silviafranco

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