El Inimigo Malbec de Adriana Catena e Alejandro Vigil

Catena Zapata está com um vinho especial, um “ponto fora da curva” de seu estilo e cujo conceito discute questões pendentes desde há pelo menos 2.300 anos. Tudo começou com uma conversa entre Alejandro Vigil, enólogo de Catena Zapata que esteve no Brasil no mês passado, e a caçula de Nicolá Catena, Adriana Catena, estudante em Oxford, Inglaterra.  El Inimigo Malbec 2008 – criação de Adriana Catena e de Alejandro Vigil – surge de uma conversa num jantar em Londres entre os dois sobre uma questão até hoje não respondida por scholars e especialistas: o que levou Aníbal, o ousado general cartaginês que fez uma  travessia inédita e dramática dos Pirineus e dos Alpes com todo um exército e
elefantes para atacar Roma, venceu fulminantemente os romanos, numericamente  mais fortes, na batalha de Canna em 216aC e, quando tinha Roma, humilhada e  aniquilada a seus pés, em vez de marchar sobre a cidade, adiou indefinidamente  a investida e perdeu sua grande chance (o History Channel recentmente deu uma versão do fato). O mesmo sucedeu com Gengis Khan que toma em 1227 dC a Ucrânia e está na iminência de conquistar a Europa. Khan falece, os filhos adiam a conquista da Europa, entretidos em dividir entre si o império, e assim a oportunidade se perde. O mote da concepção de El Inimigo, segundo Adriana e Alejandro, teria sido o inimigo interno que nos habita e detém. Daí surge o projeto El Inimigo Malbec, um vinho cult, complexo, com o “nervo” da Petit
Verdot (7%), de uvas provenientes do vinhedo Adriana e de vinhas velhas de 80
anos de San Carlos, em La Consulta. Um vinhaço de estilo diverso ao da bodega
Catena Zapata: um vinho de forte personalidade, muita presença, muita garra,
taninos presentes e toda a determinação que faltou a Aníbal e aos Khan… Um
bravo para Adriana e Alejandro que não adiaram o projeto.

As outras duas novidades da Catena Zapata datam de 1995 e de 2001:
Nicolás Catena Zapata 2001 é o primeiro blend da Catena: Cabernet Sauvignon e
Malbec (48%) e causou sensação, pois levou 4 vezes o primeiro lugar e 1 vez o
segundo em 5 provas às cegas com vinhos do quilate de Château Latour,
Haut-Brion e Opus One. Pois hoje mostra-se um vinho maduro, fino e elegante,
mineral e de acidez bem marcada e muito equilíbrio. Angelica Malbec 1995 é um
vinho vendido apenas no Brasil e na Argentina. Um vinho cativante, uma carícia
ao pladar, com notas de chocolate fondant, complexo e de grande finesse.

About silviafranco

Wine writer.
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