Vinho, Cordeiro & Cavalo

 Uma cavalgada temperada a cordeiro no fogo de chão e bons vinhos nos pampas do Sul e a saborosa descoberta de que existe carne de cordeiro suave, macia e delicada.

Eu não sabia que era fã de carne de cordeiro até dias atrás, no Carnaval, quando participei de mais uma cavalgada organizada pela Campofora de Paulo Hafner. Uma cavalgada temperada a cordeiro no fogo de chão e bons vinhos uruguaios nos pampas da divisa entre os dois países, mais precisamente entre Santana do Livramento, RS, e Rivera.

Nesta cavalgada – para mim uma deliciosa forma de turismo enogastronômico – aprendi de uma vez por todas que há carnes e carnes de cordeiro. Provei deliciosas preparadas no fogo de chão em Rivera, e também na região brasileira de Santana do Livramento.

Provamos no almoço da terça de Carnaval, após uma cavalgada a passo pelos pampas, uma carne de cordeiro excepcionalmente suave, delicada, macia e saborosa. Fiquei encantada e realmente surpresa, pois é raro encontrar uma carne de cordeiro tão suave e macia. Quem me explicou foi Paulo Ricardo Schida Corrêa, da gaúcha Agropecuária Vitória, uma agropecuária gaúcha empenhada em oferecer carnes de qualidade. Segundo Schida, os fatores que influenciam a suavidade da carne são a idade do abate (deve ser feita entre 8 e 14 meses) e a criação em pasto extensivo, princípios que a Agrovitoria segue à risca. Outros fornecedores preferem fazer o abate “em linha”, i.e., engordar o cordeiro para ganhar no peso. Ora, até que o bichinho engorde, ele segue para o abate bem mais velho e fibroso…

Na Agropecuária Vitória as raças são Texel e Polldoset sobre as matrizes da raça Corriedale e Ideal, originárias da Nova Zelândia: são 4 a 5 mil ovinos que pastam em 2 mil hectares de terra, tratada organicamente, e selecionados e abatidos em tenra idade. Pode-se encontrar os cordeiros da Agrovitoria na Bassi, no Fogo de Chão e na churrascaria Jardineira Grill.

Eu também não sabia que o Uruguai é capaz de fazer vinhos tão simples, tão baratos e ainda assim bem feitos! Eu conheço os grandes vinhos uruguaios da Carrau, Bouza, H. Stagnari, De Lucca, Pisano entre muitos. Mas cavalgando entre os marcos da fronteira, nós nos hospedamos em pousadas charmosas e no jantar eu assumia o risco de provar os vinhos simples do Uruguai. Vinhos de 150 a 250 “pilas” ou R$15 a R$25. Uma agradável surpresa. Na Posada Valle Eden bebemos um saboroso Don Segundo, corte de tannat e merlot da De Lucca por R$19 na mesa do restaurante! O grupo gostou tanto deste vinho que o levou de caixa para casa. Foi uma refeição sob árvores frondosas e de um encanto todo especial. Junto a esta pousada está o Museu Carlos Gardel, em Tacuarembó, Rivera, onde os uruguaios juram que ele nasceu. Na Posada Aurora, charmosa e acolhedora, além do cordeiro que Don Castro nos preparou, bebemos um simples Tannat Calvinor, que também não decepcionou por 150 “pilas” ou R$15.

Esta foi minha terceira viagem a cavalo com a Campofora Cavalgadas de Paulo e Ângela Hafner, pioneira do turismo a cavalo no Brasil desde 1992. Os cavalos são todos da raça crioula – que se encontra em todo o Rio Grande do Sul e no Uruguai – e tem origem no cavalo andaluz trazido pelos espanhóis em 1600. É um cavalo resistente e de temperamento dócil. Uma alegria e uma tranqüilidade para cavalgar.

Os campos do Sul são magníficos, um lugar encantado em que há mais céu do que terra, com chumaços de nuvens claras e hospitalidade calorosa. Foram cinco dias a cavalo, muito cordeiro, vinho simples e bom e, vez por outra, um gole de Cachaça da Tulha, que eu como amazona experiente sempre carrego no alforje. E o melhor de tudo foi a companhia dos novos amigos Tania, Maria, Romildo, Ricardo, Conceição, Carlos, Audrey e Fátima, esta que não montava desde os sete anos de idade e saiu-se muito bem, e João, nosso guia, além de Ângela e Paulo Hafner, amigos de sempre.

Silvia Franco viajou às próprias expensas.

Serviço:

Cavalgadas Campofora: (54) 9971-4000 e www.campofora.com.br

Agrovitoria: (55) 3242-2770 e 8123-5317

About silviafranco

Wine writer.
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One Response to Vinho, Cordeiro & Cavalo

  1. João Delpupo says:

    Deve ter sido um belo passeio e parece, pelo seu texto, que esta experiência realmente marcou e os ensinamentos de paulo Schida sobre a qualidade do ovino da Agrovitória foram provados ao vivo. Parabéns pelo inspirado texto.

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