Um australiano do Ribatejo ao Tejo: Fiuza & Bright

O Ribatejo agora atende por Tejo, um nome mais fácil de pronunciar para os estrangeiros. Mas é certo que o pessoal do Ribatejo, opa, do Tejo, não ficou por aí nas alterações. A Fiuza, que faz vinhos desde 1912, foi buscar um upgrade de qualidade no flying winemaker Peter Bright e agora está no Brasil pela Vinea. A Fiuza & Bright faz vinhos com as cepas francesas e as castas portuguesas como Touriga Nacional e Arinto (nos brancos).

Os vinhos da Fiuza & Bright  têm três qualidades a destacar, entre outras: vinhos gastronômicos, teor alcoólico razoável e preço baixo. Ah, esta parte ela divide os méritos com a Vinea que também está reduzindo sua margem de lucro, um exemplo que seria fantástico que fosse seguido por todas! Ah, e mais uma característica: os vinhos mantém uma distinção e personalidade próprios, diferem-se uns de outros e não apresentam super extração de cor ou de frutas, aqueles excessos que lembram pinturas renascentistas com aquelas cornucópias de frutas maduras em profusão. São vinhos elegantes e contidos, perfeitos para acompanhar comida.

Provamos o branco Fiuza Três Castas Branco 2009, um vinho fresco, corte de chardonnay, arinto e vidal. Aqui a Arinto está deliciosamente presente. 13% de álcool e muito bom, R$41.

Meu preferido #1, o Fiuza Oceanus 2008, um tinto frutado, simples, correto, saboroso, corte de touriga nacional e, pasmem!, cabernet sauvignon! E deu muito certo. Médio corpo, frutado com toques de cassis, um mel, acidez e bom equilíbrio. Um vinho alegre e fácil por, pasmem outra vez!, R$29! É o best buy do dia.

Mas se você gosta de vinhos com passagem em barrica, Fiuza Premium 2008 tem as mesmas touriga nacional e cabernet sauvignon e 8 meses em carvalho francês. Complexo, estruturado, frutos vermelhos, chocolate, longa persistência e taninos suaves. Levou a Medalha de Prata da Decanter World Wines entre outras. R$99.

Outro vinho amável, fácil e saboroso é o Fiuza Três Castas Tinto 2009, um tinto redondo. Apenas 50% passa três meses em carvalho. Um corte de syrah, cabernet sauvignon e touriga nacional a 12,5%. Bons taninos, aroma complexo, boa estrutura, aromas de especiarias e frutos silvestres, ameixa. Por R$45 é um campeão.

O Fiuza Merlot 2009 tem ganhado corações por onde passa, me conta Gabrielle, sommelier da Vinea e que ajudou Agnaldo Záckia na garimpagem dos vinhos. Este merlot entrega no palato muito mais do que anuncia o nariz. Aromas de ameixas maduras, acidez média, bons taninos, um vinho suave, mas de personalidade.R$51.

Meu outro preferido foi o Fiuza Ikon DOC 2007, 100% touriga nacional, 13,5% e 8 meses de carvalho francês. Um belo vinho, aromas intensos, complexos, profundos de frutos do bosque, mirtilos, amoras, ameixas. Encorpado, bem equilibrado e com a madeira bem integrada. Longa persistência. R$184.

O chef Arturo Frank do Fulana assinou o cardápio do almoço e já foi “chef do mês” das noites enogastronômicas da Vinea.

About silviafranco

Wine writer.
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One Response to Um australiano do Ribatejo ao Tejo: Fiuza & Bright

  1. ai fiuza é meu sobrenome….

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