II Encontro: do alcatrão de Zerberos aos rebeldes com causa de Geoffroy

O último dia do II Encontro foi tão vivo e polêmico quanto os outros. Que graça tem ir a um encontro que reúne apenas a medíocre placidez das unânimidades? Entre os enófilos, Paulo Hartung, o governador do Espírito Santo, que provou que gosta mesmo de vinho, e lá estava sentadinho como todos nós, atentamente ouvindo o que o Melhor Sommelier do Mundo “safra 2007 “, Andréas Larsson, tinha a dizer e oferecer: degustamos Zerberos  Arena Pizarra 2006, um vinho instigante com aromas de alcatrão, alcaçuz, vigoroso e de muita personalidade e também o contraditório (na superfície) Clos de Couleé de Serrant 2004, o biodinâmico de Nicolas Joly: no nariz, um late harvest e, na boca, adivinhem!: um branco seco, potente, estruturado e cremoso. Dá para acreditar? Na foto,  a água Pedra Azul, minha modesta homenagem à agua que nos manteve a todos sóbrios e com saúde nestes dias de infindáveis e irrecusáveis degustações. Na linha “clássico” o Virginie de Valandraud de Jean-Luc Thunevin, um vinho que começou como segundo e já está em primeiro. Também ali estava o Sauternes do mestre Denis Dubourdieu: L’Extravagant de Doisy Daene Sauternes 2002, puro gole de paraíso.  Também ofereceu o Gramona Imperial Brut Gran Reserva 2006, cava de qualidade elaborado pela enóloga Ana Lopez de Gramona e considerada por Eric Asimov (crítico do New York Times) como um cava que lhe recorda os grandes champanhes do mundo. Por falar nisso, valeu ouvir a apresentação dos champanhes independentes e rebeldes com causa de Jean Baptiste Geoffroy, viticultor que no passado vendia suas uvas para os negociants e que assumiu o desafio de produzir seu próprio champanhe. Ele não faz malolática em seus vinhos, por isso são os champanhes mais gastronômicos que já provei. Finalmente e não menos importante, o casamento da cuisine capixaba com os vinhos pelo mestre Mário Telles Jr. e uma homenagem ao saudoso Saul Galvão. Mário nos garantiu uma seleção feliz de vinhos e pratos: moqueca de cação capixaba com o Sketch  2008 de Raul Perez, o enólogo de vinhos sui generis, intrigantes, desconcertantes e saborosos que o Ariel trouxe para a Casa do Porto, a importadora com sangue nas veias que sabe como ninguém fugir das platitudes e dos vinhos dejà vu. Uma festa este Encontro em Vitória. Ficam aqui os parabéns e agradecimentos aos organizadores desta maratona! Abaixo, Paulo Hartung (último à direita) na Feira do II Encontro Internacional de Vinhos do Espírito Santo.

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One Response to II Encontro: do alcatrão de Zerberos aos rebeldes com causa de Geoffroy

  1. Silvestre says:

    Silvia, 3 dias de muita alegria. Foi um prazer te encontrar por aqui!!!
    Agora o L’Extravagant de Doisy Daene Sauternes 2002 foi o melhor Sauternes até hoje.

    Abs e saúde!
    http://www.vivendoavida.net
    Silvestre

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