A aposta da Cave Geisse no Brasil

Com quem mais eu poderia topar a mais de 3 mil metros de altitude no Valle Nevado? Com Daniel Geisse, claro, outro fã dos esportes da neve. Daniel Geisse é o homem do marketing da Cave Geisse e filho do enólogo Mário Geisse, o chileno que pôs o Brasil no mapa dos espumantes.

Seus espumantes produzidos pelo método champenoise são referência e a revista  britânica Decanter selecionou a Cave Geisse como o melhor espumante do Brasil e da América do Sul.

Descemos do teleférico com uma entrevista marcada para antes do jantar. Ele seguiu com o snowboard e eu de esquis junto com Aline, sua esposa. Fui direto para Bajo Zero, um bar na montanha onde me abasteço de Red Bull para enfrentar o ar rarefeito e as pistas vermelhas.

À noite, Daniel apareceu com uma garrafa sem rótulo: um vinho Reserva Especial produzido pelo pai Mário Geisse, diretor de Casa Silva aqui no Chile, e a esposa, Joana Pereira, enóloga chefe da Bisquett. Um corte de carmenére e cabernet sauvignon dos vinhedos da vinícola que a família tem em Colchagua, que vai se impondo como um terroir de excelência de carmenere.  Degustamos este vinho goloso, elegante e equilibrado, jovem apesar da safra 2001. E Daniel falou da grande aposta de Mário Geisse no Brasil, da busca de qualidade e das perspectivas futuras.  Eis aqui a íntegra:

“Sempre se perguntou porque da aposta de Mário Geisse no Brasil e esta é uma das respostas, que é a qualidade que é incrível e única. Os espumantes não são melhores nem piores do que os champanhes, são diferentes. O estilo único e próprio do terroir que é Pinto Bandeira, uma região com uma característica fenomenal para espumantes à base de chardonnay e pinot noir.  Cada ano que passa a gente consegue trabalhar melhor estas variedades e consegue um espumante de qualidade superior. E o trabalho de nossa família está todo voltado em cima de qualidade. Não visa grande produtividade, porque o terroir que a gente selecionou é delimitado. Se quiséssemos aumentar a produtividade, teríamos que partir para outras regiões e se perderia aquela particularidade que para nós é importante e que com o passar dos anos (pensando que o Brasil está engatinhando na produção de espumantes e vinhos) isto vai ser reconhecido. A empresa está sendo projetada para as próximas gerações, não exatamente para esta, embora tenha alcançado um nível de qualidade muito rápido, porque o terroir está presente e a vocação da região é clara. Os enólogos têm o conhecimento técnico para extrair o melhor do terroir, mas 30 anos de produção de espumantes de qualidade num país novo como o Brasil é muito pouco.  A continuidade é o que vai fazer essa região ser reconhecida, talvez não nos próximos  10 ou 20 anos, mas nos próximos 100 anos, mas o mundo do vinho é assim. E o que a gente está trabalhando agora é nos pilares da empresa para que dure por gerações, mantendo sempreum nível de qualidade alto. E isto a gente consegue manter, porque o terroir está delimitado.”

About silviafranco

Wine writer.
This entry was posted in O que rola. Bookmark the permalink.

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s